Caminhando só

segunda-feira, abril 13, 2009

Things we lost in fire

Baixei este filme no ano passado, um pouco depois de um incêndio no prédio em que moro. Provavelmente o baixei por sentir identificação com o título, mas curiosamente deixei ele encostado um ano antes de vê-lo. Talvez soubesse em meu íntimo que o filme traria muito mais do que uma estória de "incêndio". Obviamente uma mensagem seria trazida, mas creio que sabia que era muito mais do que algo relativo ao incêndio, ou melhor, ao fogo. O mesmo fogo que queimou a garagem de Audrey é o fogo que derrete a heroína de Jerry, melhor amigo de seu marido.

Perda e falta de controle sobre a própria vida são os temas centrais deste filme, que vai muito além de mais uma estória triste. A lista de coisas que o casal perdeu no incêndio não passa de um pedaço de papel incapaz de preencher a falta que Steven faz para sua família e para seu melhor amigo. As pequenas conquistas diárias de seus filhos, estimuladas e assistidas por Jerry, e até mesmo o "aconchego" dos braços deste amigo de seu marido, caem sobre Audrey como uma provocação da vida. Sua revolta em função de suas perdas não a faz enxergar que ela acaba influenciando a vida de outras pessoas, estimulando outras perdas.

Só lamento a perda de "ritmo" do roteiro algumas vezes, não sei se proposital, como uma referência aos efeitos do vício em heroína, ou desintencional, num descuido do roteirista ou do diretor. Uma pena, pois a estória é realmente muito boa e nos sacode sobre muitas coisas.



Pretendo revê-lo em breve, até porque o tempo que demorei para escrever este acabaou me fazendo perder algumas idéias boas sobre o filme, mas o(a) desafio a ver este filme e a se perguntar: você também é fluorescente?

O menino do pijama listrado

Depois de um longo silêncio, estou de volta. Assisti alguns filmes neste período, mas faltou tempo para escrever. Então, vou retomar a escrita com este filme, que vi faz mais ou menos quatro semanas.

Às vezes me impressiono como a temática dos campos de concentração ainda consegue render estórias "originais". O menino do pijama listrado soou para mim como um: "olha... tudo o que fazemos tem retorno". É a estória de Bruno, um menino inocente que, iludido pela falsa promessa de que os campos de concentração eram como "fazendas" ou "áreas de lazer", não percebe o perigo ao qual se está expondo ao desenvolver uma amizade com um "menino de pijama listrado", Shmuel.



Filho de um oficial nazista, Bruno se depara com uma realidade diferente da relatada por seu pai e vivida por sua irmã adolescente. Sua mãe, que até boa parte do filme ignora o que de fato acontece nos campos de concentração, passa de solicita esposa a principal opositora de seu marido, mas não consegue evitar a tempo o trágico destino de seu filho: uma amizade sincera e sem preconceitos.

Vale a pipoca!