Caminhando só

terça-feira, maio 20, 2008

My Blueberry Nights


Muitas vezes me pergunto o que leva alguém a colocar certos nomes nas traduções dos títulos de filmes. No caso deste filme em questão, acho até fácil entender a escolha do nome, mas discordo dela. O beijo roubado, no meu entender, não é a tônica do filme, nem o que dá a linha de ação. Talvez o fato da personagem entender o significado real do recomeçar, do voltar a um ponto perdido no passado (não necessariamente o fim de um relacionamento) e reiniciar dali, de onde parou, esteja mais perto desta "linha de ação". Mas realmente, como traduzir isto em um título?

Acho que isto fica mais claro se analisarmos as personagens que esbarram com nossa protagonista, pois todas têm o mesmo ponto em comum: situações do passado mal resolvidas, da qual elas sempre fogem.

Gostei muito do filme, principalmente da questão do aprendizado a partir da observação do outro como nosso espelho, e da capacidade de modificação que nossa protagonista mostrou. Tudo bem que demorou um ano para cair a ficha, mas caiu, enfim!

Fora que o ator que faz o barman é muito bom. Gostei da atuação dele no também mal nomeado filme "O amor não tira férias" e acho que ele passa muita tranquilidade, mesmo quando fazia cenas fingindo estar completamente alcoolizado. Fora que ele é a cara do meu amigo Graham (maybe you have to lose some pounds, Graham ;-)).

Acho que este filme em especial merecia manter seu nome original, afinal todo mundo faz curso de inglês hoje em dia, e a torta não desejada por ninguém, que sempre ia inteira para o lixo, merecia destaque no título! ;-)

segunda-feira, maio 05, 2008

O brilho eterno de uma mente sem lembranças!

Tão longo quanto o título é a parte inicial do filme que, aparentemente sem timing, dá sono! Nossa! Como foi difícil suportar aquela meia hora (talvez) inicial na qual o filme se arrasta, mostrando coisas que só farão sentido no seu final.


Acho que sempre é complicado essa tentativa de quebra de seqüências e viagem no tempo em uma estória, seja ela em vídeo ou texto. Mas já vi coisa pior no cinema: o recente filme de Antonhy Hopkins - Um sonho dentro de um sonho - que não consegue conduzir com maestria a tentativa de "adaptação" do poema de mesmo nome, de um dos maiores inspiradores de Baudelaire no mergulho nas profundezas do inconsciente, Edgard Allan Poe.


Mas quem resiste ao início, ou tenta ver o resto do filme, um dia depois de ver o início, como eu fiz, vê uma crônica do que é o relacionamento entre um casal: paixão, amor e a droga do cotidiano e da intimidade estragando tudo!


Mas o final traz uma mensagem consoladora a todos aqueles que gostam e precisam se apaixonar: a convivência fará o casal ver os defeitos do ouro com lupa de aumento, que de tão grande vai acabar encobrindo as qualidades e as coisas boas do outro que te atraíram; mas como diz o personagem principal: "tudo bem!"





Então... que tal lembrar dos momentos bons? Do frio na barriga do primeiro encontro. Do tremor de mãos ao querer propor algo mais. Da sensação de se estar nas nuvens após o primeiro segurar de mãos. Do gosto bom do primeiro beijo apaixonado. Da alegria do reencontro. Da saudade gostosa da distância. Do curtir um programa que ambos gostam, a dois. Do sonhar e planejar um futuro que não existe (e talvez não existirá). Do desejo de sentir o outro. Do prazer de se fazer sentir pelo outro.


Se você gosta do outro, por que não tentar de novo? Só que agora com a vantagem de se saber exatamente o que não se gosta no outro e o que precisa ser superado?


Excelente dia a todos. E que cada um possa tentar de novo, sempre!


O diabo veste Prada!


Quer o emprego dos sonhos? Leve com ele a chefe dos pesadelos! É a temática "superficial" do filme cujo título foi tomado emprestado por este post.


Quem não tem problemas no trabalho? Quem não queria um emprego que pagasse mais e/ou um chefe que o reconhecesse mais? Quantos não estão em trabalhos não-satisfatórios, supostamente apenas temporariamente, até conseguir algo melhor?


Acho que não é difícil se identificar com a personagem principal do filme, mas... exatamente o que nela soa familiar com você? Os problemas com o emprego ou os problemas com o relacionamento amoroso? Ou será que você foi mais fundo e se identificou com os problemas íntimos da personagem que, mesmo no fim do filme, ainda os mantinha?


Pelo que me pareceu, a "mocinha" não terminou como a heroína que se liberta da tirania de uma chefe usurpadora, mas sim como a submissa, que larga seus sonhos e muda de cidade só porque seu namorado conseguiu um emprego melhor fora dela. Mas e o emprego dos sonhos dela, no famoso jornal, que ela acabara de conseguir? Por que ela abandonou seu ideal de trabalho, após ter abandonado o emprego dos sonhos por conta dele? O que mais ela iria abandonar se o filme continuasse?


Fica no ar a impressão de que a personagem principal se abandona a cada nova cena. Ora mudando de idéia sobre trabalhar com moda, por precisar de um emprego, ora mudando de estilo, para se adequar ao emprego, ora saindo do emprego dos sonhos, para buscar seu ideal de vida, ora largando seu ideal de vida conquistado, para ir atrás de um namorado que fazia sanduíches de queijo que ela nem queria comer, à noite.




Mas o ponto positivo do filme, na minha opinião é: sempre é possível mudar, principalmente externamente. O que não quer dizer que a mudança externa reflita a interna, como no caso da nossa personagem.


Que bom que não sou uma personagem. Espero e acredito que minhas mudanças não são só externas.