O diabo veste Prada!

Quer o emprego dos sonhos? Leve com ele a chefe dos pesadelos! É a temática "superficial" do filme cujo título foi tomado emprestado por este post.
Quem não tem problemas no trabalho? Quem não queria um emprego que pagasse mais e/ou um chefe que o reconhecesse mais? Quantos não estão em trabalhos não-satisfatórios, supostamente apenas temporariamente, até conseguir algo melhor?
Acho que não é difícil se identificar com a personagem principal do filme, mas... exatamente o que nela soa familiar com você? Os problemas com o emprego ou os problemas com o relacionamento amoroso? Ou será que você foi mais fundo e se identificou com os problemas íntimos da personagem que, mesmo no fim do filme, ainda os mantinha?
Pelo que me pareceu, a "mocinha" não terminou como a heroína que se liberta da tirania de uma chefe usurpadora, mas sim como a submissa, que larga seus sonhos e muda de cidade só porque seu namorado conseguiu um emprego melhor fora dela. Mas e o emprego dos sonhos dela, no famoso jornal, que ela acabara de conseguir? Por que ela abandonou seu ideal de trabalho, após ter abandonado o emprego dos sonhos por conta dele? O que mais ela iria abandonar se o filme continuasse?
Fica no ar a impressão de que a personagem principal se abandona a cada nova cena. Ora mudando de idéia sobre trabalhar com moda, por precisar de um emprego, ora mudando de estilo, para se adequar ao emprego, ora saindo do emprego dos sonhos, para buscar seu ideal de vida, ora largando seu ideal de vida conquistado, para ir atrás de um namorado que fazia sanduíches de queijo que ela nem queria comer, à noite.
Mas o ponto positivo do filme, na minha opinião é: sempre é possível mudar, principalmente externamente. O que não quer dizer que a mudança externa reflita a interna, como no caso da nossa personagem.
Que bom que não sou uma personagem. Espero e acredito que minhas mudanças não são só externas.

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