Caminhando só

domingo, outubro 29, 2006

Texto de 29/10/2006

Que nada me amedronte
(Teresa D’Avila )

Bom seria, a nós mortais, ter sempre na vida firmeza. São tantos os momentos de corda bamba, em que a sombrinha e o manter-se em linha reta nos deixam a temer olhar para o que surge aos nossos pés. Vozes tentam nos confundir. Uns admirados. Outros certos da nossa queda. Porém, há aqueles que passam, sorriem e seguem o caminho, talvez por terem certeza de que na vida, tudo é passageiro. Quantas vezes a corda parece ceder. Outras, o vento a balança. Pior, porém, é quando a noite chega, o céu escurece, a chuva cai, tornando o trajeto uma aventura. O coração se cala, a alma chora, os olhos precisam manter-se firmes, na corda ou na linha de chegada? Eis o diferencial. Muitas das vezes, os pés são nossos guias e os olhos, nossa bússola; Porém, necessário se faz, outras vezes, contemplar somente a corda, procurando afogar a ansiedade de ultrapassar os limites humanos. Momento em que se descobre que, equilibrar-se, é muito mais que se manter de pé; é ter a certeza do que se deseja alcançar. Mas, tantas vezes somos lançados à corda sem nos ter avisado, previamente, a vida... Quando vemos, está sob nossos pés o abismo, à nossa frente, o obscuro, trazendo à mão, Excalibur! Bom seria, a nós mortais, ter sempre firmeza! Acreditar na possibilidade de alcançar o impossível. Como trepadeiras, ou sementes levadas pelos pássaros, florir o cimo, até mesmo, de ignóbil árvore. Somos equilibristas que trazem à mão, sementes...Lancemo-las a terra, aos ares. Tenhamos em mente que, atrás de nós outros serão lançados à corda. Que, a nossa frente, está o impossível aos olhos humanos. O que pode vir a ser a concretização de algo nunca antes sonhado, idealizado, devido ao medo de nos lançarmos a corda. Não termos aprendidos a confiar em nós, Naquele que conosco está todos os dias. Se a vida nos lançar à corda bamba, sejamos equilibristas que trazem às mãos, sementes. Lancemo-las a terra, aos ares, aos céus. Que seja nossa semente como a de mostarda. Fira a terra, abra-nos as portas do céu.