Caminhando só

terça-feira, outubro 31, 2006

Texto de 31/10/2006

MARESIA & VENTO-MAR
(Hellen Katiuscia de Sá)
20 de outubro de 2006

Estavam eles refletindo num céu de águas lilases – Teus olhos! E eu admirava as vestes de alvas cores – Nuvens que te cobriam. Era a minha Paz, o nosso sol dissipando as nuvens de vapor. Céu de águas cristais – Onde te vi pela primeira vez. Nosso mundo ao contrário deste – Nosso sorriso intocável. Luminoso riso e tuas mãos nas minhas, Barcos a navegarem sobre acolchoadas brumas... - Ah! Nosso céu ondulado e verde... Estavam as fragatas velejando sobre teus olhos – Netuno dos Ares! E foi assim que me beijaste a fronte. Selando a estrela que me acompanha desde sempre. Amarelinhos flutuando sinalizavam tudo... Galhos secos de árvores suspensas, imersos dançavam... Eram os cabelos do leito do rio "Viu o navegante", Capitão? Em resposta-vendaval, respondeu que sim. Era no idioma estranho Como vento no rosto... Enchia todos os espaços de alegria! Com uma concha nos ouvidos, eu o lia. Ali eu ficava... Decifrava-me E escrevia nos navios, Nas ondas, E gaivotas, Tudo o que de mim emanava. Era o beijo forte do vento... Vários sorrisos de barco passavam. Uns acenavam tímidos, Outros coloridamente esfuziantes, E uns orgânicos e até mecanicamente. Com seus motores invisíveis Atravessavam um céu líquido-esverdeado – O universo de Maresia e de Vento-Mar.

segunda-feira, outubro 30, 2006

Texto de 30/10/2006

O maior risco da vida é tomar precauções demais
(por El Morya Luz da Consciência)

O que mais tememos perder é geralmente aquilo que acabamos ganhando. Todo risco é uma ilusão, desde que entendamos que somos seres espirituais e, sendo assim, em essência nossa Unidade com Deus é inviolável. Quando deixamos de manifestar nossa criatividade, de fazer aquilo que queremos, por medo de críticas, entramos num estado de estagnação e acabamos apodrecendo, como a água que não pode se movimentar. Toda vez que algo é conveniente para nós, não precisamos temer e nem dar ouvidos às críticas e ao externo, porque o Universo nos dá indicações claras de que o passo deve ser dado. Evitar agir por temer críticas é trocar a criatividade pela aprovação do mundo. Sonhar com a perfeição ou alimentar ilusões não é uma utopia, mas é buscar nosso verdadeiro destino, direito adquirido pelo ser humano consciente que em sua caminhada em direção à luz, descobre o propósito da vida, que é ser feliz, principalmente quando passa a aceitar-se como é e a não ter medo de perder! Só no mundo das aparências é que podemos perder. Passamos muitas vezes a vida toda dedicados a proteger nossos tesouros terrenos e também pessoas e amores, porém, nos esquecemos que Jesus nos ensinou a valorizar as coisas eternas, justamente para não cairmos no medo da perda. A vida só pode nos ensinar quando temos coragem suficiente para enfrentarmos o desconhecido, porque sair da zona de conforto e segurança é encontrar a cura; é o nosso ego que pede garantias. A pior perda que pode ocorrer é a perda da paz! Ao darmos espaço para o medo, já perdemos; nada nesse mundo pode se comparar com a perda da alegria interior... mas de que adianta saber destes fatos somente na teoria? Todos podem atingir um estado de plena confiança se aquietarem a mente e procurarem dentro de si mesmos as respostas; parar de perseguir sonhos impossíveis faz com que encontremos dentro de nós aquilo que precisamos. "O Curso em Milagres” nos lembra a seguinte lição: quando nos preocupamos com a possibilidade de perder alguma coisa, já perdemos muito! Eu poderia ver a paz, em vez disso, ensinam. “Se eu me perceber preocupado ou se minha mente está perdida perambulando por cavernas escuras, lembro-me: eu posso estar feliz agora, se assim resolver". Se ficarmos focados no momento presente, somos fortalecidos, preocupar-se com o futuro é negar e perder a beleza do agora. Jesus disse: "Vim para lhes dar a vida em abundância". Quando você distribui incondicionalmente seu amor e sua compreensão, eles lhe serão devolvidos multiplicados. Aquilo que está no seu interior reflete seu exterior. O único modo de perder é reter o amor e não fazê-lo chegar a quem amamos ou ao mundo; esta é a maior mentira com que podemos nos ferir. Se estamos amando não temos como perder. Somente expandindo nossa consciência ficaremos abertos e receptivos para o novo e preparados para enxergar além até das dimensões mais elevadas. A nossa natureza é puro amor e negamos a nossa identidade básica quando nos recusamos a oferecê-lo. Quando o damos, cumprimos nosso propósito aqui na Terra. Todos os que sabem o que significa amar não conhecem o medo de perder. Sinta seu coração transbordar de amor e gratidão e assim atingirá a todos os que o rodeiam. O amor é a chave para todas as portas trancadas. Todos aqueles que amam têm algo em comum: "optaram em dar continuamente seu amor sem permitir que as circunstâncias externas ditem se seu coração ficará aberto ou não. São capazes de criar por meio da generosidade do espírito". Nosso direito natural é gozar da paz de espírito, saúde perfeita e relacionamentos satisfatórios. Se contentar com menos que isso, realmente é não estar vivo. Continue desafiando qualquer coisa que seja menos que o amor. Almeje o topo da montanha e não se detenha enquanto não chegar lá. No alto dela encontrará um tesouro com seu nome e quando chegar na casa do Pai saberá! Como diz Alfred Adler: "O principal perigo da vida é tomar precauções demais".

domingo, outubro 29, 2006

Texto de 29/10/2006

Que nada me amedronte
(Teresa D’Avila )

Bom seria, a nós mortais, ter sempre na vida firmeza. São tantos os momentos de corda bamba, em que a sombrinha e o manter-se em linha reta nos deixam a temer olhar para o que surge aos nossos pés. Vozes tentam nos confundir. Uns admirados. Outros certos da nossa queda. Porém, há aqueles que passam, sorriem e seguem o caminho, talvez por terem certeza de que na vida, tudo é passageiro. Quantas vezes a corda parece ceder. Outras, o vento a balança. Pior, porém, é quando a noite chega, o céu escurece, a chuva cai, tornando o trajeto uma aventura. O coração se cala, a alma chora, os olhos precisam manter-se firmes, na corda ou na linha de chegada? Eis o diferencial. Muitas das vezes, os pés são nossos guias e os olhos, nossa bússola; Porém, necessário se faz, outras vezes, contemplar somente a corda, procurando afogar a ansiedade de ultrapassar os limites humanos. Momento em que se descobre que, equilibrar-se, é muito mais que se manter de pé; é ter a certeza do que se deseja alcançar. Mas, tantas vezes somos lançados à corda sem nos ter avisado, previamente, a vida... Quando vemos, está sob nossos pés o abismo, à nossa frente, o obscuro, trazendo à mão, Excalibur! Bom seria, a nós mortais, ter sempre firmeza! Acreditar na possibilidade de alcançar o impossível. Como trepadeiras, ou sementes levadas pelos pássaros, florir o cimo, até mesmo, de ignóbil árvore. Somos equilibristas que trazem à mão, sementes...Lancemo-las a terra, aos ares. Tenhamos em mente que, atrás de nós outros serão lançados à corda. Que, a nossa frente, está o impossível aos olhos humanos. O que pode vir a ser a concretização de algo nunca antes sonhado, idealizado, devido ao medo de nos lançarmos a corda. Não termos aprendidos a confiar em nós, Naquele que conosco está todos os dias. Se a vida nos lançar à corda bamba, sejamos equilibristas que trazem às mãos, sementes. Lancemo-las a terra, aos ares, aos céus. Que seja nossa semente como a de mostarda. Fira a terra, abra-nos as portas do céu.

quinta-feira, outubro 26, 2006

Texto de 26/10/2006

A arte de ser feliz
(Cecília Meireles)

Houve um tempo em que minha janela se abria sobre uma cidade que parecia ser feita de giz. Perto da janela havia um pequeno jardim quase seco.

Era uma época de estiagem, de terra esfarelada, e o jardim parecia morto. Mas todas as manhãs vinha um pobre com um balde, e, em silêncio, ia atirando com a mão umas gotas de água sobre as plantas. Não era uma rega: era uma espécie de aspersão ritual, para que o jardim não morresse. E eu olhava para as plantas, para o homem, para as gotas de água que caíam de seus dedos magros e meu coração ficava completamente feliz.

Às vezes abro a janela e encontro o jasmineiro em flor. Outras vezes encontro nuvens espessas. Avisto crianças que vão para a escola. Pardais que pulam pelo muro. Gatos que abrem e fecham os olhos, sonhando com pardais. Borboletas brancas, duas a duas, como refletidas no espelho do ar. Marimbondos que sempre me parecem personagens de Lope de Vega. Ás vezes, um galo canta. Às vezes, um avião passa. Tudo está certo, no seu lugar, cumprindo o seu destino. E eu me sinto completamente feliz.

Mas, quando falo dessas pequenas felicidades certas, que estão diante de cada janela, uns dizem que essas coisas não existem, outros que só existem diante das minhas janelas, e outros, finalmente, que é preciso aprender a olhar, para poder vê-las assim.

quarta-feira, outubro 25, 2006

Texto de 25/10/2006

É preciso não esquecer nada
(Cecília Meireles)

É preciso não esquecer nada:
nem a torneira aberta nem o fogo aceso,
nem o sorriso para os infelizes
nem a oração de cada instante.
É preciso não esquecer de ver
a nova borboleta nem o céu de sempre.
O que é preciso é esquecer o nosso rosto,
o nosso nome,
o som da nossa voz,
o ritmo do nosso pulso.
O que é preciso esquecer
é o dia carregado de atos,
a idéia de recompensa e de glória.
O que é preciso é ser como se já não fôssemos,
vigiados pelos próprios olhos severos conosco,
pois o resto não nos pertence.

segunda-feira, outubro 23, 2006

Texto de 23/10/2006

Reflexão
(Gilka Machado)

Há certas almascomo as borboletas,
cuja fragilidade de asas
não resiste ao mais leve contato,
que deixam ficar pedaços
pelos dedos que as tocam.

Em seu vôo de ideal,
deslumbram olhos,
atraem as vistas:
perseguem-nas,
alcançam-nas,
detêm-nas,
mas, quase sempre,
por saciedadeou piedade,
libertam-nas outra vez.

Ela, porém, não voam como dantes,
ficam vazias de si mesmas,
cheias de desalento...

Almas e borboletas,
não fosse a tentação das coisas rasas;
- o amor de néctar,
- o néctar do amor,
e pairaríamos nos cimos
seduzindo do alto,
admirando de longe!

(in Sublimação, 1928)

domingo, outubro 22, 2006

Texto de 22/10/2006

Além da Terra, além do Céu
(Drummond)

Além da Terra, além do Céu,
no trampolim do sem-fim das estrelas,
no rastro dos astros,na magnólia das nebulosas.
Além, muito além do sistema solar,
até onde alcançam o pensamento e o coração,
vamos!vamos conjugaro verbo fundamental essencial,
o verbo transcendente, acima das gramáticas
e do medo e da moeda e da política,
o verbo "sempreamar",
o verbo "pluriamar",
razão de ser e de viver.

sábado, outubro 21, 2006

Texto de 21/10/2006

Memória
(Drummond)

Amar o perdido
deixa confundido
este coração.
Nada pode o olvido
contra o sem sentido apelo do Não.
As coisas tangíveistornam-se insensíveis
à palma da mão
Mas as coisas findas
muito mais que lindas,
essas ficarão.

sexta-feira, outubro 20, 2006

Texto de 20/10/2006

Mude
(Edson Marques)


Mas comece devagar, porque a direção é mais importante que a velocidade.
Sente-se em outra cadeira, no outro lado da mesa. Mais tarde, mude de mesa.
Quando sair, procure andar pelo outro lado da rua. Depois, mude de caminho, ande por outras ruas, calmamente, observando com atenção os lugares por onde você passa.
Tome outros ônibus. Mude por uns tempos o estilo das roupas. Dê os teus sapatos velhos. Procure andar descalço alguns dias.
Tire uma tarde inteira para passear livremente na praia, ou no parque, e ouvir o canto dos passarinhos.
Veja o mundo de outras perspectivas. Abra e feche as gavetas e portas com a mão esquerda.
Durma no outro lado da cama... depois, procure dormir em outras camas.
Assista a outros programas de tv, compre outros jornais... leia outros livros, Viva outros romances.
Não faça do hábito um estilo de vida. Ame a novidade. Durma mais tarde. Durma mais cedo.
Aprenda uma palavra nova por dia numa outra língua. Corrija a postura. Coma um pouco menos, escolha comidas diferentes, novos temperos, novas cores, novas delícias.
Tente o novo todo dia. o novo lado, o novo método, o novo sabor, o novo jeito, o novo prazer, o novo amor. a nova vida.
Tente. Busque novos amigos. Tente novos amores. Faça novas relações.
Almoce em outros locais, vá a outros restaurantes, tome outro tipo de bebida compre pão em outra padaria. Almoce mais cedo, jante mais tarde ou vice-versa.
Escolha outro mercado... outra marca de sabonete, outro creme dental... tome banho em novos horários.
Use canetas de outras cores. Vá passear em outros lugares. Ame muito, cada vez mais, de modos diferentes.
Troque de bolsa, de carteira, de malas, troque de carro, compre novos óculos, escreva outras poesias.
Jogue os velhos relógios, quebre delicadamente esses horrorosos despertadores.
Abra conta em outro banco. Vá a outros cinemas, outros cabeleireiros, outros teatros, visite novos museus.
Mude. Lembre-se de que a Vida é uma só. E pense seriamente em arrumar um outro emprego, uma nova ocupação, um trabalho mais light, mais prazeroso, mais digno, mais humano.
Se você não encontrar razões para ser livre, invente-as. Seja criativo.
E aproveite para fazer uma viagem despretensiosa, longa, se possível sem destino.
Experimente coisas novas. Troque novamente. Mude, de novo. Experimente outra vez.
Você certamente conhecerá coisas melhores e coisas piores do que as já conhecidas, mas não é isso o que importa.
O mais importante é a mudança, o movimento, o dinamismo, a energia. Só o que está morto não muda !

"Repito por pura alegria de viver: a salvação é pelo risco, sem o qual a vida não vale a pena" (Clarice Lispector)